O Bode

Home / O Bode

O Bode em Uauá

No ano de 1549 chegava ao Brasil Garcia D’ávila, com ele, algumas cabeças de gado bovino, bodes e ovelhas. Em meados de 1552, no processo de colonização, D’ávila avançou sobre grande parte do nordeste, da Bahia até o Piauí. Depois de conquistar o litoral e o recôncavo da Bahia, chegou às margens do Rio Vaza Barris e deixou uma família de colonizadores; algumas cabeças de gado, caprinos e ovinos. Nascia então, a Fazenda Uauá, propriedade de Garcia D’ávila.

A cultura portuguesa priorizava a criação de gado bovino, no entanto, esta não se adaptou tão bem às secas impostas pela natureza. Em contrapartida, a criação de cabra, bode e ovelha, se desenvolvia com adaptação extraordinária, apesar da adversidade do tempo e do ambiente.

Ao longo do tempo, o bode foi se afirmando como fonte de sobrevivência e produção. Já em 1927, o Coronel João Borges de Sá, primeiro prefeito, trouxe para a cidade de Uauá, algumas cabras e bodes da raça anglo-nubiano numa tentativa de melhorar geneticamente o rebanho caprino já existente.

A ocasião foi narrada pelo Coronel Jerônimo Ribeiro em seu livro “Uauá – História e memórias”:

“Diz o folclore da vida do Coronel (João Borges), que ao passar onde estivesse um rebanho de cabras, em sinal de muita deferência e respeito, tirava-lhes, cortesmente, o chapéu. Em 1928 ou 1929, conseguiu junto à Secretaria da Agricultura da Bahia, um lote de caprinos anglo-nubianos, de pura origem, com o fim de introduzir novo sangue nas raças pé-duro ou nativas, típicas da região, para aumentar-lhes o porte, o peso e a produção de leite. Com as modificações político-administrativas do país, a partir de 1930, ruíram os planos e os sonhos do grande líder. Conta-se ainda que, ao receber em Uauá, o lote desses animais, fez festiva apresentação, como era do seu hábito em todos os eventos que considerava importantes. Por exemplo, na chegada de qualquer dignitário da igreja, na sua habitual saudação vinha a frase: “benedictus que venit in nomine domine”. Apresentando os bodes ao povo, outra frase que lhe era também habitual: “quod natura datur nemo negare potest”. Há a corruptela desta frase latina, tão repetida por João Olhinho, quando tomava seus pileques: “é di tute é tater, negar é pote”.”

De lá para cá, várias experiências com caprinos e ovinos foram realizadas nas caatingas de Uauá. O bode viveu o seu apogeu a partir de 1972 com a criação da ACOOBA – Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos da Bahia. Naquele ano foi, realizada a primeira Exposição Nacional Especializada de Caprinos e Ovinos, fato acontecido no último mandato do Coronel Jerônimo Rodrigues Ribeiro. Após a criação da ACOOBA, foi também criada a AUCCO – Associação Uauaense dos Criadores de Caprinos e Ovinos.

Naquele momento de glória da caprinovinocultura, Uauá é homenageada pelos criadores e autoridades como: “A Capital do Bode”.

Essas Associações trouxeram para Uauá, várias raças exóticas como: buji, mambrino, anglo nubiano entre outras. Mais recentemente, já encontramos cabras e bodes das raças: boer, sanem e pardo alpina. Mesmo com a introdução dessas raças, o bode cangaceiro mostrou ser ele o grande ícone da caprinocultura em Uauá.

Ontem como hoje, é o bode catingueiro quem dá vida a nossa gente, é ele quem representa divisa econômica. Carne e pele são comercializadas desde os campos novos, barriguda, até a maior metrópole da América Latina, São Paulo. A tecnologia já nos permite fazer entre vários outros produtos, salsicha, pizza, hambúrguer e filé. Como diz o ditado popular: “É Deus no céu e bode na terra”. Béééé!