A CAPITAL DO BODE – UAUÁ NA ERA DA INFORMÁTICA

A CAPITAL DO BODE – UAUÁ NA ERA DA INFORMÁTICA

Na nova era de aquários
No tempo da informação
Resgatamos a história
As lendas, a tradição
O velho se torna novo
O sentimento do povo
Brota de seu coração

Com a invenção da Internet
E da globalização
O mundo vem sofrendo
Profunda transformação
Uauá evoluiu
A capital do bode surgiu
No site e televisão

Uauá News um site
O outro Na Tela Eventos
A Rádio Luz do Sertão
São alguns dos instrumentos
Umbuzada.com
Quem comanda e dá o tom
Liberdade FM

Não se usa orelhão
Aqui nessa capitá
Conexão é internet
Telefone celular
Pra menino e pra ‘hôme’
O toque do telefone
É um bode a berrar

Loja da vivo e da claro
Para dar manutenção
Tecnologia especializada
Para a população
Deixa muito a desejar
Mais dos dias saem do ar
Sem nenhuma explicação

Talvez o maior poder
Seja a comunicação
Uauá já conquistou
Na mídia sua posição
São muitos pesquisadores
Agregando mais valores
Historiando o sertão

Chegou o tapete preto
Velha reivindicação
Agora a coisa apertou
Para a população
Se Esse era o desejo
Agora ficamos presos
E fica solto o ladrão

Não se anda em veículo
Sem a habilitação
A óleo ou a gasolina
Moto, carro ou caminhão
Em dia o IPVA
Se a polícia lhe abordar
Dê a documentação

E o comércio local
A muito se inovou
Tudo de primeiro mundo
Várias clinicas aqui chegou
São vários laboratórios
Nova sala de velório
A Pax Uauá criou

25 de Março
O povo apelidou
Era rua dois de Julho
Num piscar se transformou
Várias lojas utilitárias
Instalaram-se nessa área
A paisagem mudou

Várias academias
Para quem quiser malhar
Consultórios odontológicos
São vários em Uauá
Lan House em toda esquina
Para menino e menina
Poder se internetizar

Araújo e São Geraldo
Dois postos de combustíveis
Um no Caldeirão da Serra
Outro na Lagoa do Pires
Uma fábrica de cerâmica
A economia dinâmica
Segue forte e sem crise

Ninguém quer andar de ônibus
Agora é de avião
De Uauá a São Paulo
Essa é a decisão
É tudo facilitado
No cartão é parcelado
Viaja qualquer cristão

Já tem olho eletrônico
Para nos monitorar
Perdemos a liberdade
É o preço a pagar
Ser robô não é ficção
Preste bem atenção
Filmado você está

A festa do umbu
Todo ano é tradição
Trabalho da COOPERCUC
Organiza a produção
Exporta pro exterior
O produto tem valor
Tem o selo de inspeção

Pense reflita perceba
Como o tempo mudou
Avô enterrava neto
Hoje neto enterra avô
Pois na capital do bode
O umbu virou ibope
Tudo se valorizou

A capital do bode é metrópole
Cheia de arranha céu
Os costumes já mudaram
Disse-me Arlindo de Néu
Os jovens dessa cidade
Tão usando tatuagem
Acabou-se o tabaréu

Agora tem a CEPAC
A policia da caatinga
Moralizou Uauá
Devolvendo a auto-estima
São bons profissionais
Competentes e capaz
De dar a volta por cima

O popular José Ramos
Conhecido por Gigi
Sempre usou teodolito
Para a terra medir
O que vejo me entristece
Hoje usa GPS
Disso tudo vejo aqui

Quiosque em toda fazenda
Já esta globalizado
Cerveja refrigerante
Galinha e bode assado
A chegada da energia
Trouxe grande serventia
Acabou o tempo atrasado

A capital desenvolve
Em toda velocidade
Apesar de virtual
Mas já tem a faculdade
Franz Tagore codinome
Robson Rodrigues é o nome
Virou uma celebridade

Atravessou o atlântico
Um bando de cangaceiro
Pra mostrar nossa cultura
Do umbu e do bodeiro
Renan Mendes, Gildemar
Até Barris voou no ar
Fazendo o mesmo roteiro

Burro não se usa mais
O jegue se aposentou
Cavalo só pra corrida
Depois que a moto chegou
Essa tal globalização
Parece coisa do cão
Dão de Rosa assim falou

Acabou-se o pastoril
Com cavalo alazão
Campeiam agora com moto
Está trilhado o sertão
Trocaram o cavalo de osso
Por ferro velho seu moço
Que loucura meu irmão

Cadê o chapéu de couro?
Alparcata e roló?
O cinto de couro cru?
Quede a benção da vovó?
Não existe casamento
É ficar por um momento
Acabam ficando só

As galinhas não põem mais
O ovo perdeu o valor
Não se come carne de bode
Por ordem do promotor
Eu não sei como é que faz
Nem leite se bebe mais
O caos já se instalou

Defunto não entra na igreja
Padre Carlos proibiu
Um prefeito sem diploma
O outro não assumiu
As coisas estão mudadas
Ninguém entende mais nada
Será primeiro de Abril?

Estamos nas mãos de Deus
Vive o povo a falar
Essa tal evolução
Já chegou a Uauá
Entra na casa da gente
Mexe no corpo e na mente
Ninguém pode controlar

Não sei se é impressão
Mas preciso lhe dizer
No ar uma sensação
De vazio de poder
Um diploma é cassado
Seis meses sem delegado
Quem afirma é BGG

Um novo tempo chegou
Temos que nos adequar
Exercer cidadania
É sempre participar
Seja autor de sua história
Pois quem sabe faz a hora
Pelo o bem de Uauá

Vou fazer um ultimato
Para todo cidadão
Se imponha se aplique
Se respeite meu irmão
Essa é a identidade
De quem nasce na cidade
Onde pisou lampião

Precisamos opinar
Precisamos reagir
Precisamos planejar
O tempo que tá pra vir
Formular opinião
E ser parte da questão
Pra novo tempo surgir

Preservar nossa cultura
Hoje já ameaçada
Preservar nossos valores
São João e vaquejada
A caatinga o umbuzeiro
O bode e o vaqueiro
Será nossa empreitada

O Vaza Barris agoniza
Uma cena de doer
Precisamos decidir
Como vamos proceder
Craibeira não tem mais
Cadê o amarelo rapaz?
Algaroba é o que se ver

Prefiro chapéu de couro
Zapracata e roló
A reza de preto véi
A benção da minha avó
Café quente na chaleira
Comer no meio da feira
Carregando o meu aió

Pai, Filho, Espírito Santo
Protegei a capital
Ao meu São João Batista
Um pedido especial
Estenda sua mão sobre o povo
Abençoe o velho, o novo
Até a marcha final’

BGG da Mata Virgem
Poeta Popular
OUT 2011

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